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Atentados terroristas e hollywood
- Por: Aquele Tarkisio
- Data: 11/06/2008
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Como o cinema mudou após o 11 de setembro
Se você prestar um pouco de atenção, vai perceber que há uma diferença entre as produções americanas feitas antes dos atentados às torres gêmeas e depois. Muita gente já escreveu sobre isso, mas permita-me escrever também, acho que vamos chegar a um concenso. Antes de setembro de 2001 estavam na moda os filmes no estilo terrorista arquiteta atentado fabuloso, a lista é longa: - Nova York sitiada (The Siege, 1998): Denzel Washington é agente do FBI, Annette Bening, oficial da CIA e Bruce Willis, que interpreta um general unem forças para capturar perigoso grupo de terroristas que plantam bombas em diversos lugares de Nova York. - Força aérea Um (Air Force One, 1997): o avião do presidente dos EUA é sequestrados por terroristas (russos, diga-se) - Inimigo Íntimo (The Devil’s Own, 1997): neste, um jovem terrorista do IRA que precisa realizar uma missão nos Estados Unidos se hospeda sem revelar sua identidade na casa de um policial local. - O pacificador (The Peacemaker, 1997): Nicole Kidman interpreta uma cientista nuclear e George Clooney, um tenente-coronel que investigam o possível roubo de ogivas nucleares, que pode trazer resultados catastróficos para a paz mundial.

Força aérea um
Depois dos atentados a tônica no cinema mudou. As salas foram inundadas de produções como Quarteto Fantástico, A era do gelo, As Crônicas de Nárnia, Harry Potter, King Kong, Shrek, Homem-Aranha, Demolidor, Mulher gato, Batman Begins, Electra, Superman e Piratas do Caribe. O importante é que a fantasia substitua ao máximo a realidade durante o maior tempo possível.
Um outro aspecto a se considerar foram os remakes. Nunca se produziu tanto remake quanto nos últimos anos, veja alguns: A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005), O destino do Poseidon (Poseidon, 2006), Assalto à 13ª DP (Assault on Precint 13, 2005), A feiticeira (Bewitched, 2005), Os produtores (The Producers, 2005), King Kong (King Kong, 2005), Guerra dos mundos (War of the Worlds, 2005) e ainda, entre outros, O Sacrifício (The wicker man, 2006). E nem vou citar O chamado (The ring, 2002), porque acho que não se inclui nessa safra.
E ainda tem aqueles personagens que ressurgiram do inferno (não estou falando do clássico da Sessão das Dez do SBT, Hellraiser). Refiro-me aqueles filmes que reapareceram: Herbie, o fusca, voltou (Herbie: Fully Loaded, 2005). Voltou O exorcista (Exorcist: The Beginning. EUA, 2004). Até o exterminador do futuro voltou! E Rocky, de Sylvester Stallone está a caminho. A impressão que dá é a de se agarrar a um porto seguro, vamos refazer o que deu certo no passado, não vamos arriscar. Pode ser o simples resultado de uma safra de maus roteiristas? Acho difícil. P
roduções de guerra foram abolidas, atentados terroristas, bombas explodindo, tudo isso sai de cena. Steven Spielberg filma Munique (Munich, 2005) mas volta o foco para o conflito do bom moço que é assassino por uma boa causa judia. Além do mais já virou história: o fato tem mais de 30 anos. Fecha-se uma porta abre-se uma janela: filmes sobre a intolerância racial, antes só restrito aos afro descendentes, tornam-se mais comuns e incluem todas as minorias. Crash (produção de 2004, recebeu Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem em 2006) retrata muito bem a intolerância. De forma sutil, o filme explora a questão do preconceito racial generalizado, inclusive entre as próprias minorias. Plano perfeito (Inside Man, 2006) também aborda a questão étnica de forma sutil, como rebordo da trama.
E filme sobre o outro lado dos terroristas? Quem assistiu a Paradise Now (2005) acompanhou a trajetória de dois palestinos, Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashef), recrutados para um atentado terrorista. Mas o filme é despido de preconceitos, acompanhamos a versão dos homens-bomba. Algo inédito no cinema ocidental. E repercutiu muito bem, foi o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A questão aí não foi a qualidade da produção, mas o recado dado no momento certo. É, os tempos mudaram.

Paradise now
Syriana, A Indústria do Petróleo (Syriana, 2005), com George Clooney e Matt Daemon, também aborda a questão do terrorismo árabe. Aos poucos, Hollywood vai formando um amplo retrato das relações sociais entre os países envolvidos diretamente com o assunto terrorismo. Vôo 93 (United 93, 2006) e As torres Gêmeas (World Trade Center, 2006) vão direto na ferida, sem rodeios.
E quase esqueço de Brigada 49 (Ladder 49, 2004), com a história dos bombeiros heróis. Aliás, terror a bordo de aviões pode não ficar só a cargo de terroristas na telona: Serpentes a bordo (Snakes on a Plane, 2006), Vôo noturno (Red Eye, 2005) e Plano de vôo (Flightplan, 2005) são formas diferentes de representar ameaças dentro de um avião. Será só coincidência?
Um pouco além das aeronaves, um exemplo mais sensível de como os atentados mudaram o rumo das produções cinematográficas, a Disney voltou a investir pesado em cinema. Em cinco anos entregou uma enorme quantidade de produções como A lenda do tesouro perdido (National treasure, 2004), Operação Babá (The Pacifier, 2005), Pooh e o efalante (Pooh’s Heffalump Movie, 2005), As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Warbrobe, 2006), Resgate abaixo de zero (Eight Below, 2006), O Galinho Chicken Little (Chicken Little, 2005), Irmão urso, Selvagem (The Wild, 2006) Carros (Cars, 2006) e o já citado Herbie. E o mais impressionante: o sucesso das minisséries de tv, Lost, é da Disney. Eles também fizeram uma parceria bilionária com o Pixar. E, por tabela, entraram no mercado fabuloso do I-pod, com a Apple. Enfim, imagine o quanto a visitação aos parques da Disney caíram após as ameaças de atentados terroristas. Teria uma correlação ou seria só coincidência também?
Estou parecendo aqueles boateiros que inventam conspirações, mas quem iria querer morrer segurando as orelhas do Mickey? E não vai ficar por aí, claro, quanto mais distante fica o 11 de setembro, mais roteiros serão aprovados. Ainda assistiremos a muitos filmes com essa temática. Em tempo: há um documentário de Arthur Cohn, chamado Munique, 1972 - Um dia em setembro (One day in september, 1999) muito bem produzido, que reconstitui o massacre da delegação israelense nas Olimpíadas. Vale muito vê-lo.

Força aérea um
Depois dos atentados a tônica no cinema mudou. As salas foram inundadas de produções como Quarteto Fantástico, A era do gelo, As Crônicas de Nárnia, Harry Potter, King Kong, Shrek, Homem-Aranha, Demolidor, Mulher gato, Batman Begins, Electra, Superman e Piratas do Caribe. O importante é que a fantasia substitua ao máximo a realidade durante o maior tempo possível.
Um outro aspecto a se considerar foram os remakes. Nunca se produziu tanto remake quanto nos últimos anos, veja alguns: A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005), O destino do Poseidon (Poseidon, 2006), Assalto à 13ª DP (Assault on Precint 13, 2005), A feiticeira (Bewitched, 2005), Os produtores (The Producers, 2005), King Kong (King Kong, 2005), Guerra dos mundos (War of the Worlds, 2005) e ainda, entre outros, O Sacrifício (The wicker man, 2006). E nem vou citar O chamado (The ring, 2002), porque acho que não se inclui nessa safra.
E ainda tem aqueles personagens que ressurgiram do inferno (não estou falando do clássico da Sessão das Dez do SBT, Hellraiser). Refiro-me aqueles filmes que reapareceram: Herbie, o fusca, voltou (Herbie: Fully Loaded, 2005). Voltou O exorcista (Exorcist: The Beginning. EUA, 2004). Até o exterminador do futuro voltou! E Rocky, de Sylvester Stallone está a caminho. A impressão que dá é a de se agarrar a um porto seguro, vamos refazer o que deu certo no passado, não vamos arriscar. Pode ser o simples resultado de uma safra de maus roteiristas? Acho difícil. P
roduções de guerra foram abolidas, atentados terroristas, bombas explodindo, tudo isso sai de cena. Steven Spielberg filma Munique (Munich, 2005) mas volta o foco para o conflito do bom moço que é assassino por uma boa causa judia. Além do mais já virou história: o fato tem mais de 30 anos. Fecha-se uma porta abre-se uma janela: filmes sobre a intolerância racial, antes só restrito aos afro descendentes, tornam-se mais comuns e incluem todas as minorias. Crash (produção de 2004, recebeu Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem em 2006) retrata muito bem a intolerância. De forma sutil, o filme explora a questão do preconceito racial generalizado, inclusive entre as próprias minorias. Plano perfeito (Inside Man, 2006) também aborda a questão étnica de forma sutil, como rebordo da trama.
E filme sobre o outro lado dos terroristas? Quem assistiu a Paradise Now (2005) acompanhou a trajetória de dois palestinos, Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashef), recrutados para um atentado terrorista. Mas o filme é despido de preconceitos, acompanhamos a versão dos homens-bomba. Algo inédito no cinema ocidental. E repercutiu muito bem, foi o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A questão aí não foi a qualidade da produção, mas o recado dado no momento certo. É, os tempos mudaram.

Paradise now
Syriana, A Indústria do Petróleo (Syriana, 2005), com George Clooney e Matt Daemon, também aborda a questão do terrorismo árabe. Aos poucos, Hollywood vai formando um amplo retrato das relações sociais entre os países envolvidos diretamente com o assunto terrorismo. Vôo 93 (United 93, 2006) e As torres Gêmeas (World Trade Center, 2006) vão direto na ferida, sem rodeios.
E quase esqueço de Brigada 49 (Ladder 49, 2004), com a história dos bombeiros heróis. Aliás, terror a bordo de aviões pode não ficar só a cargo de terroristas na telona: Serpentes a bordo (Snakes on a Plane, 2006), Vôo noturno (Red Eye, 2005) e Plano de vôo (Flightplan, 2005) são formas diferentes de representar ameaças dentro de um avião. Será só coincidência?
Um pouco além das aeronaves, um exemplo mais sensível de como os atentados mudaram o rumo das produções cinematográficas, a Disney voltou a investir pesado em cinema. Em cinco anos entregou uma enorme quantidade de produções como A lenda do tesouro perdido (National treasure, 2004), Operação Babá (The Pacifier, 2005), Pooh e o efalante (Pooh’s Heffalump Movie, 2005), As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Warbrobe, 2006), Resgate abaixo de zero (Eight Below, 2006), O Galinho Chicken Little (Chicken Little, 2005), Irmão urso, Selvagem (The Wild, 2006) Carros (Cars, 2006) e o já citado Herbie. E o mais impressionante: o sucesso das minisséries de tv, Lost, é da Disney. Eles também fizeram uma parceria bilionária com o Pixar. E, por tabela, entraram no mercado fabuloso do I-pod, com a Apple. Enfim, imagine o quanto a visitação aos parques da Disney caíram após as ameaças de atentados terroristas. Teria uma correlação ou seria só coincidência também?
Estou parecendo aqueles boateiros que inventam conspirações, mas quem iria querer morrer segurando as orelhas do Mickey? E não vai ficar por aí, claro, quanto mais distante fica o 11 de setembro, mais roteiros serão aprovados. Ainda assistiremos a muitos filmes com essa temática. Em tempo: há um documentário de Arthur Cohn, chamado Munique, 1972 - Um dia em setembro (One day in september, 1999) muito bem produzido, que reconstitui o massacre da delegação israelense nas Olimpíadas. Vale muito vê-lo.







